A panela de pressão dos servidores estaduais está atingindo nível de explosão nesta virada de ano, devido ao acúmulo de insatisfações, e o governador Jaques Wagner precisará de muita lábia para contornar. A apreensão do momento é a não definição, até agora, do índice de aumento linear a ser concedido para o funcionalismo em 2012.
Rubens Santiago, diretor do Sindicato dos Fazendários da Bahia, lembra que a previsão orçamentária do governo baiano para 2012 embute um aumento de 5,9%. Ocorre que a inflação de 2011 (usada para calcular a majoração) deve fechar o ano entre 6% e 7%.
Para complicar a situação, o aumento do mínimo nacional em 14% elevou o valor para R$ 622. Como o governo Wagner firmou compromisso de equiparar o menor salário-base do Estado ao mínimo nacional, o impacto nas contas públicas é enorme.
Mesmo porque cerca de 60% dos 627 mil servidores ativos e inativos recebem salário-base no valor mínimo. Talvez por isso o governo ainda não tenha conseguido fechar os cálculos. A previsão é que somente após o dia 15 de janeiro haverá a definição do índice de reajuste linear a ser aplicado para quem ganha acima do salário mínimo. Santiago acha que o governo tem caixa para os reajustes. “A precisão de aumento da receita corrente líquida este ano em relação a 2011 se aproxima dos 10%”, pondera o sindicalista.
Outro motivo de estresse: o plano do governo de transferir a folha de pagamento do funcionalismo do Banco do Brasil para a Caixa Econômica Federal. Se isso ocorrer, prevêem grandes transtornos por um motivo simples. Enquanto o BB conta com 352 agências no Estado, a CEF tem 112, das quais 84 na Região Metropolitana de Salavdor. Os sindicatos consideram que o nível de revolta dos servidores com a troca pode superar ao das mudanças do Planserv.
Fonte: A TARDE
SALVADOR, QUINTA-FEIRA 05/01/2012